Sexta-feira, 9 de Janeiro de 2009
A parte pelo todo. Viver o todo, pela parte

 

 

Vicissitudes da vida, ou vicissitudes minhas, perante a vida, impediram-me de ir à água estas últimas duas semanas. Shame on me. Shame on me quando deixo de fazer a última coisa que me alegra, a única coisa que tenho certa quando nada mais parece fazer sentido. Com o passar dos dias passam a ser remotas as sinestesias, as imagens, como se tivesse acordado de um sonho que se esvai a pouco e pouco nos primeiros minutos de vigília. Assim eram as minhas lembranças e estados de alma do "estar dentro de água". E passaram... só duas semanas.

 

Ontem fiquei-me pelo passadiço de carcavelos, saboreando a calmia duma praia banhada pelo sol invernoso, sem o frenesi doentio dos dias de Verão. Sabe bem olhar. Simplesmente. Fazer as pazes com a vida e com o mar que me chama, mas que a cobardia me impede de responder. Cobardia de quem está desiludido com tudo, cobardia de quem pensa que já esqueceu e já não é capaz. Cobardia de sentir frio, literal e metaforcamente falando,  e estender os braços num longo "não vale a pena".

Não costuma ser este o espírito de quem entra no Ano Novo. Mas foi este o espírito com que vim do Ano Velho. Nada melhor do que obrigar-me a entrar hoje dentro de água. Sim. Shame on me again. Mas nunca se obrigaram a fazer algo, sabendo que é para vosso bem? Pois hoje fui mais forte que o frio das minhas ideias e fiz-me ao frio aparente do mar.

Foi com prazer redobrado que apanhei a minha primeira onda do ano, numa espécie de alegria infantil. De repente, tudo ficou mais quente, tudo pareceu melhor. De repente o frio passara porque, afinal, esta-se bem melhor dentro de 14º graus do que nos nos 5º ou 6º que fazem lá fora... ou simplesmente porque, afinal, uma surfada dá novo fôlego à vida.

 

 É uma das melhores coisas que existe e, se calhar, aquela que nos mostra com mais clarividência e imediatez que vale a pena Viver, nem que seja  para esta sinédoque de sensações que nos traz. Sim, Surfar é a parte dum todo, que é Viver. E quando às vezes nos esquecemos de Viver... o melhor é lembrar-mo-nos apenas duma parte... aquela que ironicamente aquece o frio da Vida, numa onda gelada duma  fria tarde de Inverno.

memorizado por LaraR às 03:39
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2 comentários:
De Autor do blog infame a 10 de Janeiro de 2009 às 23:43
Às vezes surfar é a parte...mas as melhores vezes são aquelas em que surfar é o Todo.

Autor do blog infame que tu sabes qual é.
De LaraR a 21 de Janeiro de 2009 às 18:16
Para M.
Muitas coisas deixam de fazer sentido. Demasiadas. Mas não largues de vez a ponta do novelo em que, por vezes, a vida se torna. É ela o fio da meada: uma parte muito muito pequena mas que nela pode residir um possível sentido para a Vida.

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