Quarta-feira, 3 de Junho de 2009
Boilling Point

Continuo sem entender porque é que o Surf feminino é tão avassaladoramente menos apoiado que o masculino. Ao nível da competição, o valor dos prémios é sobejamente inferior e os patrocínios escasseiam. Será que, nós mulheres, somos menos espectaculares, menos lutadoras ou menos competitivas? O que acontece é que, apesar de estarmos numa sociedade que proclama direitos iguais andamos sempre a reboque do que se passa pelo mundo dos homens. Já lá vai o tempo das primeiras competições de surf na década de 20, mas certo é que precisámos de quase um século para fazer voltar as cabeças na nossa direcção.

São mulheres como Stephanie Gilmore que derrubam preconceitos e iniciam revoluções. E esta década é, sem dúvida, a era do surf feminino se afirmar e mostrar ao mundo todo o seu potencial. Já aqui disseram que “Gilmore é um homem a surfar”. E dadas as circunstâncias, esta não só é uma comparação válida, como necessária. Válida, porque Gilmore continua a dar provas dum surf cada vez mais explosivo e competitivo, necessária, porque o nosso termo de comparação é o que se faz de melhor na competição masculina. E num momento em que Kelly Slater continua a ser o habitual campeão indiscutível, sabe bem uma lufada de ar fresco e um pouco de agitação no tour feminino.

Com apenas 17 anos, Gilmore tornou-se na mais jovem atleta a vencer uma etapa do tour mundial – o Roxy Pro Gold Coast – enquanto wildcard. E há precisamente dois anos, tornou-se na primeira mulher a vencer o título de campeã do mundo, no seu ano de estreia, repetindo a proeza no ano seguinte. “Happy” Gilmore continua a ter razões para estar feliz vindo a mostrar que os seus resultados não foram “sorte de principiante”. A australiana prepara-se para atacar a nova temporada no dream tour, de olho no terceiro palmarés consecutivo. A sua mais recente conquista marca assim a sua quarta vitória consecutiva numa etapa da ASP do world tour. Três eventos ganhos na época passada, somam-se ao da etapa inaugural do tour de 2009 – o Roxy Pro, em Snapper Rocks.

No entanto, seria redutor falar-se duma revolução no surf feminino, personificando-a exclusivamente na figura de Gilmore. Se restar alguma dúvida basta colocar os olhos nas rokies talentosas que passaram pelo Roxy Pro, tais como a australiana Sally Fitzgibbons, as havaianas Coco Ho e Alana Blanchard, a neozelandesa Paige Hareb e a braslieira Bruna Schmitz. Donas de um surf radical, rápido e fluído, prometem dar que fazer à geração mais experiente onde se encontra Sofia Mulanovich e Megan Abubo, por exemplo; sinónimos dum surf rígido, pesado e já pouco criativo. Assim, não foi de estranhar ver todas estas estreantes passarem as suas baterias e seguirem para a terceira ronda. E Paige e Coco Ho apenas perderam nas semi-finais! Gilmore foi fazendo das suas e eliminou Abubo na terceira ronda com, sensivelmente, o dobro da pontuação.

E que dizer da final desta primeira etapa do tour de 2009? Dizer que foi empolgante é cair em lugar comum, mas não há outro adjectivo. Gilmore abriu com chave de ouro, ao fazer um 9.57, obrigando a havaiana Melanie Bartels - outra presença recente nas lides do WCT - a responder. No entanto, a juntar ao talento natural, o profundo conhecimento da praia por parte de Gilmore, foram decisivos. A australiana entrou com o pé direito na sua terceira época de WCT, com uma vitória em casa.

Será este o tri-campeonato de Gilmore ou Sofia Mulanovich e Silvana Lima defenderão ainda o seu estatuto? Ou, quem sabe, as novas rookies, à semelhança de Gilmore, entraram para fazer estragos no ranking da ASP? Ficaremos para ver, ou não fosse este um momento de viragem no surf feminino. Venham elas!  

Texto Publicado na Revista FreeSurf Secção "Flores do Mar"-

Nr. 10 Abril 2009

 

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