Concordo. Faltou a João Valente a definição de surfista deprimido. O meu caro editor e camarada da blogosfera tem toda a razão. Não homem, não és o único caramba. Pronto ok, se quisermos ter preciosismos sai um surfista e uma bodyboarder deprimidos. Será que já podemos "patentear" o paradigma?

Sou um dos grãozinhos de areia nesta praia imensa de desempregados deste mundo fora. Sim, há tanto tempo nesta condição dou por mim a assumir com pujança que sou (e quero ser) parasita da sociedade: trabalhar para viver (leia-se viajar) e não viver para trabalhar. Conseguir assumir isto para quem sonha desde os 13 anos ser uma repórter de guerra, fazer carreira tal qual José Rodrigues dos Santos em versão feminina, foi complicado. Para começar... porque aos 26 anos a caminho dos 27 ainda não consegui digamos... sequer começar. Ou não me deram a oportunidade de. Segundo, porque concluí que para ser um J.R.S. tinha que fazer uma grande dieta e circular com aquelas orelhas. Naaa. Até porque podia interferir na minha aerodinâmica a dropar a onda (a ideia é descer e não subir...). Carreira para as urtigas então. Se é para me esfalfar a fazer algo que não quero, a ganhar o que não queria, a perder a minha Liberdade, a minha Juventude, as minhas ondas, de que tanto gosto... então que trabalhe para viver. Isto se aparecer... .
O senão de ser desempregado, ou jobseeker, tal como dizia a personagem da série Liga de Cavalheiros; além da óbvia carência de dinheiro, é o da abundância de tempo livre. Confusos? Passo a explicar: se não tivesse taaaanto tempo para pensar em tudo e mais alguma coisa não estava, por exemplo, a escrever um dos posts mais inúteis da história. Além do mais, se as empresas de trabalho temporário descobrirem o meu blogue, lá se vai a minha carreira de "Marta" num Call Center ou de Operadora de registo de dados. (Sim porque uma gaja tem de fazer qualquer coisa de vez em quando). "Ah claro, não me estaria a candidatar se não fosse o meu sonho de criança". Ops.. busted.
Agora pegando em todos os ingredientes da salada:
time + moneyseeking + waveseeking + identity crises = a surfista / bodyboarder deprimido
Mas o âmago de tudo isto está exactamente na expressão que guiou o posto do MB e agora o meu, por arrastamento: "surfista / bobyboarder deprimido". Não vos soa a estranho compadres? Surfista ou bobyboarder não devia ser sinónimo de êxtase, alegria de viver, júbilo, exultação? Equilíbrio de espírito, boa vibe, optimismo... Felicidade? Ser surfista de alma e coração é, na sua natureza, ser Feliz ou, pelo menos ter o veículo para uma felicidade possível. Homem Surfista que é Homem Surfista e está deprimido, surfa e sai dessa condição automaticamente. Ser surfista é o contrário de estar deprimido, tal como estar vivo é o contrário de estar morto.
Talvez seja desta abundância excessiva de swell e vento onshore, talvez seja da minha crise de identidade nunca antes sentida... mas o que é certo é que sou um novo ser: velhaco, revoltado e paranóico, daqueles que eu jamais queria conhecer quanto mais conviver e... também aquilo que vocês sabem.
Sou um ser híbrido, um novo espécime: um Bodyboarder deprimido.
Venha o set ! Quero reencontrar a Felicidade.
...Trab. Freelance
... nos Blogues
... nas Artes e Fotos
... no Bodyboard / Surf
... nos Media
Observatorio para la cibersociedad
... nas Letras e Poesia
... Aquariofilia