Segunda-feira, 30 de Julho de 2007
Festival dos Oceanos 2007
Aguardei com entusiasmo o regresso do Festival dos Oceanos. É das poucas coisas que a autarquia faz pelos Lisboestas, de bom gosto, com interesse cultural e... de borla. Faz lembrar-me a chegada de mais um Verão, do regresso das noites quentes, de um ritual que fiz desde sempre com a minha mãe. Disse o Carlos Robeiro que já lá iam seis anos desde o último festival. É grave pois lembro-me do último espectáculo, como se fosse hoje. Ou a minha memória está melhor do que eu pensava, ou estou a tornar-me realmente velha e bolorentemente saudosista. Mas, adiante.

Dia 28 de Julho realizou-se o espectáculo de abertura do festival deste ano, intitulado Em busca da Atlântida perdida. A Torre de Belém serviu de palco a várias projecções multimédia, de luz, cor, lasers, água, pirotecnia e... atrasos. Não sei se têm mais culpa o público ou a própria (des)organização. Ou seja: os atrasados em si mesmos ou aqueles que ainda os favorecem. Num espectáculo que tem a duração de 20 minutos, chegar tarde significa perder pelo menos mais de metade do acontecimento. Mas, mesmo assim, um português que se preze não se assusta com tal possibilidade. Cheguei eu 40 minutos antes e já me recriminava por ter de lidar com o trânsito de última hora. Acontece que não tive de lidar com coisa nenhuma... a não ser uma valente espera. Valeu-nos o banquinho do jardim, estratégicamente vago em frente à Torre. Ao menos uma vantagem por chegar antes de toda a gente. A hora marcada aproximava-se e os relvados de Belém continuavam despovoados. Carlos Ribeiro - a voz entertainer de serviço - anuncia finalmente que devido à falta de assistência e vislumbrando o trânsito que (só agora!) se processava na avenida, decidiram adiar o espectáculo por mais 15-20 minutos. "Que se lixe quem foi pontual e vamos lá dar tempo ao pessoal de arrumar o carro e vir calmamente até cá." Lá teve o pobre, de fazer mais uns pares de minutos extraordinários e efectuar um verdadeiro tributo à arte de encher chouriços naquela noite ventosa, mas ainda assim quente. Vinte minutos depois, mais coisa menos coisa, da hora marcada, lá começa o espectáculo, desta feita com o relvado mais composto. A música épica e os efeitos de luz atingiam o climax... os marinheiros exaustos estavam a prestes a chegar a Atlântida com ajuda das ninfas - claro, que seriam dos homens sem nós. O tom da música subia, os repuxos e os lasers no auge... estava quase, quase... oh sim! anuncia-se uma orgásmica explosão pirotécnica! Os sentidos ansiosos pelo climax espraiado nos céus quando... surge a voz "empata f*" de Carlos Ribeiro: "Pedimos desculpa mas acabámos de receber um telefonema do aeroporto dizendo que não temos a esta hora autorização para lançar o fogo, porque coincide com a passagem de aviões".

Será que ninguém se lembrou que o fogo de artifício estava previsto para as 22h20? Que a autorização do aeroporto era para essa hora e não para antes nem depois? Ou seja, começar vinte minutos mais tarde era acabar vinte minutos mais tarde... .

Pelos vistos ninguém se lembrou.

O pobre do Carlos Ribeiro fez o melhor que pôde. Lá tentava animar o público e mantê-lo no lugar. Filosofou sobre as perturbações visuais dos pilotos em voo causadas por uma hipotética sessão de priotecnia. Perigosíssimo, consta-se. Discorreu sobre as "janelas de oportunidade" - expressão que lhe foi muito querida nessa noite, já que a repetiu 87987698793445º vezes - que poderiam em breve vir a existir para o tão esperado fogo de artifício. Colocou o público de olhos no céu a ver passar os ditos aviões - "olha aqui vai um, olha ali vai outro... era melhor se passassem do lado oriental não era?" , " ah e tal, ainda bem que há tantos aviões é sinal que vêm muitos turistas". Sim muitos turistas como aqueles que estavam ali à espera... do nada. E é se estavam ainda à espera porque nem uma única palavra de explicação lhes foi proferida em inglês, pelo menos. Cerca de 12 minutos depois lá se deu o climax nos céus, agora livres de tráfego aéreo, mas o que é certo é que a coisa soube mais a um tardio handjob que outra coisa. Uma interrupção é sempre uma interrupção e o que vier a seguir já não tem deveras o mesmo sabor, o mesmo... gozo. O efeito cénico perde-se e é como uma catarse que nunca chega a ser: uma espécie de Édipo que se senta no meio do palco e consulta o público sobre as vantagens e desvantagens de furar os olhos... . Doze minutos depois lá se decide porque alguém lhe deu finalmente autorização. Embora estrabuche, é certo que já não comove verdadeiremante ninguém.

Ainda assim valeu a pena, sem dúvida. Estas iniciativas são sempre de louvar e participar mas chegando a horas. Esperemos que sirva de lição para os próximos espectáculos. Fico à espera do Ocean Parade no dia 11 de Agosto. Lá estarei mais a minha mãe, como sempre.


Estou...: sonolenta...
memorizado por LaraR às 01:45
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Domingo, 22 de Julho de 2007
Afinal este é que é o Engenheiro!
Que pouca vergonha! Já não se respeita ninguém! Um reles animal de 3 centímetros a insultar os meus dotes paisagistas! Anda uma pessoa 5 dias de volta de um aquário, põe daqui e tira dali,"ah e tal deixa arranjar deste lado para ficar mais bonitinho", para acordar um dia de manhã e ver este serviço:



Sim. Eu tenho uma réplica do Túnel do Marquês no meu aquário acabadinho de arrumar. Já agora, aquela elevação de areia contra o vidro, também não fui eu... é o "entulho" das escavações... . Dizem os manuais que o meu animal empreendedor estará a fazer qualquer coisa parecida com um ninho. Acontece que as duas "donzelas" que lhe fazem companhia não parecem muito interessadas no acontecimento, até porque ele corre com qualquer peixe nas imediações, inclusive as pretendentes. Deve ter medo de críticas, ou prefere continuar solteiro e morar sozinho. Chamem-lhe parvo.
Estou...: surpresa
memorizado por LaraR às 00:52
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Quinta-feira, 19 de Julho de 2007
No meio do nevoeiro...
Como o prometido é devido, aqui vão as novas actualizações do meu oceanário caseiro. Eis no que dá redecorar depois de um aquário montado. Por favor não façam isto em casa, os peixinhos agradecem. Pouco faltou para me aparecer uma nova espécie por aqui, o "Dom Sebationis"...



Bom, até agora ninguém o viu... o único que gostou mesmo de pousar para a câmara foi o meu Kribensis. Tenho mais outros dois, mas são mais envergonhados....


Agora é só esperar que a areia de silica assente e o filtro faça o seu trabalho. Um obrigada à Olinda que se disponibilizou a enviar material do seu "quintal" alentejano! Tive um patrocinador mais rápido que me trouxe umas pedras do rio Zêzere e passou duas horas comigo a dar numa de arquitecto paisagista... . A minha malta agradece com uma salva de barbatanas!
Estou...: maravilhada
memorizado por LaraR às 23:46
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Quarta-feira, 18 de Julho de 2007
Novo aqua
Bom, aqui fica um merecido esclarecimento aos meus inúmeroooos (?) fans! A razão do meu "desaparecimento em combate" (via msn, blog, tlm, mail, in persona, etc...) é culpa disto que vocês aqui vêem. Sabem, é que tive medo de não ter lugar para mim na praia e assim já tenho piscina em casa. Bom, agora a sério: os meus peixinhos estavam a precisar de uma vivenda nova com urgência ou arriscavam-se a afogar-se no chão de minha casa. E desconfio que a minha vizinha também não ia gostar de ter água a cair-lhe do tecto, apesar do calor, quando o meu aquário se abrisse de vez. Depois de fazer contas à vida, lá teve de ser e mudaram-se para um duplex de um dia para o outro, ou seja, de 55 litros passaram a morar num de... 100 litrinhos. Coisa pouca.
Ai, confesso que tenho alguma inveja.

Só lamento não ter feito uma montagem, como os bons manuais mandam: construir o layout antes de despejar para lá a agua e os meus bacalhaus. Mas a força das circunstâncias ditou assim. Montei-o com a tralha que já tinha e já estão com muita sorte. Eu sei que parece o fundo do Trancão mas eu promento que vou estudar um plano de interiores digno do Querido Mudei a Casa, versão aquariofila. Assim que tiver novidades aviso. Entretanto solicito a vocês, felizes habitantes das zonas rurais, o envio via CTT de calhaus de xisto ou granitos, bem como astes de videira. Faltam-me umas coisas giras para fazer o hardscape. Aqui em Lisboa é tudo muito fino e vendem pedras a 10 euros o quilo.

E ainda dizem que os saloios são os "outros lá de xima e lá de baixo", hein?!

Depois? É só falta fazer qualquer coisa parecida com isto, por exemplo =)

Estou...: aquática
memorizado por LaraR às 01:53
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Simpsonmania
Dia 26 de Julho é o dia D. Aguardo a estreia dos Simpsons no cinema como uma criancinha que anseia mais um espisódio da Floribela (ok eu sei que já é preocupante).
O que mais me atrai nesta simpática série de bonecada amarela  é  o seu humor sarcástico, crítico  e consciente. O melhor da sociedade americana ainda é esta inteligência de se rir da sua própria estupidez. Digo isto, correndo todos os riscos inerentes à utiliziação das palavras "inteligência" e "americana", na mesma frase. 
Mas, Os Simpsons, não se limitam aos EUA. Talvez seja esse o segredo do seu sucesso.  Poucos sabem, mas o primeiro episódio data de 1989! A série acaba por ser o espelho de nós mesmos, o reflexo caricaturado da nossa ganância, gula, avareza, luxúria, inveja, preguiça e ira. Mesmo assim, ultrapassam os literários sete pecados mortais: lá estão também o preconceito, o racismo, a xenofobia. As famílias disfincionais, monoparentais ou simplesmente... famílias na sua já habitual peculiariedade. A má política de educação, saúde, justiça, trabalho, segurança e transportes. A má política da Política e dos políticos. A corrupção. O desrespeito: pelo ambiente, pelos idosos, pelos animais, pelo diferente.

É Springfield, mas podia ser numa parte qualquer do mundo.

Já agora, se eu morasse naquele lugar... deveria ter mais ou menos este aspecto. Notem que em vez de um dente torto, de castigo, teria logo dois. E o nariz "batatinha" também não faz jus ao meu. Mas, é o que se pode arranjar neste criador de avatares, disponível no site oficial. Experimentem e vejam como ficariam! Se preferirem podem fazer uma tour pela cidade, ver o trailer ou simplesmente queimar tempo ao vosso patrão que não vos deixou ir de férias mais cedo.

PS. A título de curiosidade: Matt usou os nomes de seus familiares, Homer seu pai, Margaret (Marge) sua mãe, Lisa e Maggie suas irmãs, e Bart é um anagrama de "Brat", que significa: "Pirralho, Fedelho". E assim nasceu a família que encabeça o desenho animado mais bem sucedido da história.
Estou...: cartoonizada
memorizado por LaraR às 01:11
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Segunda-feira, 9 de Julho de 2007
Em dia das Maravilhas do Mundo...
Passo um ano inteiro a suspirar por uma coisa: Verão. E o pior é que passo depois todo o Verão a suspirar por outra: Inverno. Confusos? Eu explico.
Quando se vai quase diariamente a um sitío, penso que é comum a todos, passamo-lo a considerar como a nossa segunda casa. Assim sou eu com a Costa da Caparica. O meu cantinho, o meu quintal com vista para a imensidão do mar. Lá deixo à deriva os meus pensamentos e faço-os depois regressar, renovados, frescos, optimistas. A vastidão da paisagem, solitária. O som uníco do mar que vai e vem. O cheiro a maresia, o vento que crispa a pele. Até a chuva, ali, se torna sedutora.  Tão bom a praia no Inverno mas... ai que saudades do calor, do corpo bronzeado, dos fins de dia adiados... .
Eis que chega o Verão. Com ele a inevitável invasão do meu refúgio. Chegam as primeiras famílias. As crianças embirrentas, as barrigas de cerveja e a celulite a escorrer do biquini. As geleiras, os chapéus de sol e toda uma panóplia de mobília de praia. Houvesse tomadas e a televisão também vinha.  As beatas e o lixo acumulam. Existe ainda o cheiro enjoativo do protector solar e a cadência sonora do mar, abafada, violada pelo latir dos cães, do "Ó Ágata Soraia não comas areia filha, raios parta a miúda, a culpa é tua Quim Zé que passas as noites todas fora de casa!"
*
Duas horas e meia de trajecto foi o que demorei no Sábado para poder pisar o areal da minha Costa, do meu oásis invadido. Parece que para deserto aquilo estava com beduínos a mais. E alguns dos camelos, saltaram mesmo para trás do volante. Valeu-me então a companhia da minha co-piloto e o surpreendente estatuto rodoviário de duas morenas dentro dum carro com tecto de abrir. Algures no código da estrada masculino tal deve ser sinónimo de "cedência de passagem" com obrigatoriedade de sorrir e acenar. Melhor para nós, piscamos o olho e siga por entre o trânsito! Caso contrário, talvez tivessemos demorado mais uma horita, na melhor das hipóteses.  Apesar da viagem à partida já se prever atribulada e penosa, a perspectiva da barriguinha ao sol com a minha mana deitando conversa fora, valia até o circuito a pé!

Dia sete do sete de dois mil e sete foi deveras um dia especial. Foi definitivamente o dia da maior Maravilha do Mundo: a Amizade. 
Estou...:
ouvindo...: Gentleman claro!
memorizado por LaraR às 00:17
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Sexta-feira, 6 de Julho de 2007
Mais Sophia
Vai estar à venda a partir de 12 de Julho o livro A Sophia. Trata-se de uma homenagem de vários escritores a Sophia de Mello Breyner Andresen organizada pelo PEN Clube Português. O presidente do clube, Casimiro de Brito, organiza a edição.

Eu sei que sou suspeita, mas esta é mais uma homenagem merecida. Fico sempre feliz quando a minha Sophia, que tantas vezes dá voz ao que vai na minha alma, é recordada com carinho. A ver vamos o que este livro nos reserva. Ainda assim esta poetisa ainda não é estudada a fundo, levada verdadeiramente a sério. Lembro-me dela vagamente, embeirada numa página do livro de Português do 12º ano, convivendo no T1 do capítulo Outros Poetas do Século XX. Sim. Afinal houve uns outros tipos para além do Pessoa que escreveram umas coisas lá mais para o fim. Claustrofóbicos, com ela, estavam ainda José Régio, Jorge de Sena... . É triste. E nem na faculdade, num curso de literatura, acho que estes nossos Poetas foram levados verdadeiramente a sério. Foi mais do mesmo. Pessoa é grandioso, não digo que não. Mas há mais poesia para além dele. Há mais vida para além da prosa da Teolinda Gersão e "amigas".

Gosto de Sophia sobretudo por saber cantar o mar como mais ninguém foi capaz. A sua poesia é cristalina, cheira a maresia e nela ouve-se os sons dos búzios de cós. É plena de energia como uma onda a rebentar incessantemente na praia. É sinestésica.
E mesmo dizendo tudo isto estou a ser cruelmente redutora. Sophia não foi beber apenas ao Mar. Soube deitar-se no mármore branco do Parténon e sentir o sol dos mitos gregos, do berço da civilização. E tal como sentiu a euforia, sentiu a disforia humanas. Um país de pedra e vento duro. Gritou pela liberdade, gritou por todos os lábios mudos.


A bela e pura 

A bela e pura palavra Poesia
Tanto pelos caminhos se arrastou
Que alta noite a encontrei perdida
Num bordel onde um morto a assassinou.

Estou...:
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memorizado por LaraR às 02:30
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Afinal... não foi de mim!
E continuando o tema do post anterior... aqui fica um excerto da crítica do Blitz:

Em dia de peso por excelência, os gigantes Metallica mostraram que a longevidade pode bem ser o segredo do seu sucesso e conquistaram a plateia do festival. (...) «Lisbon... Metallica loves you» . Passavam três quartos de hora da uma da manhã e James Hetfield, vocalista dos norte-americanos Metallica, anunciava com um sorriso nos lábios e punho cerrado no ar a sua adoração pelo público nacional. Estava assim fechado, e fechado com chave de ouro!, o Acto 1 do 13ª Super Bock Super Rock – aproximadamente nove horas 45 minutos depois de se terem ouvido os primeiros acordes através do sistema sonoro instalado no Parque Tejo. (...) A espera pela banda mais aguardada do dia começava a tornar-se penosa, mas os primeiros acordes de «Creeping Death» – depois da já habitual «Exctasy of Gold» como introdução – funcionaram como uma injecção de adrenalina numa massa humana que, de um momento para o outro, parecia totalmente imune à longa maratona de actuações a que já tinha sido sujeita por esta hora. É precisamente aqui que voltamos à tal tirada proferida por James Hetfield que deu início a este texto – «Lisbon... Metallica loves you» . Poucas vezes um elogio deste género soou tão sincero e apropriado. As duas horas e meia que os Metallica passaram em palco foram de total comunhão entre os músicos e o seu público... James, Kirk, Robert Trujillo e Lars Ulrich estavam com saudades de estar em palco e a multidão presente no Parque Tejo já tinha, obviamente, saudades deles. Os músicos não tinham vontade de se ir embora e os fãs não os queriam deixar ir – as partidas «em falso» e os sucessivos regressos ao palco foram disso um bom exemplo. Actualmente em processo de gravação de um novo disco de estúdio, os quatro músicos aproveitaram a época estival para dar uma «escapadela» - e o espectáculo do Super Bock Super Rock foi o primeiro que fizeram desde o ano passado.
Estou...: com saudades...
memorizado por LaraR às 02:10
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Segunda-feira, 2 de Julho de 2007
Uma agradável surpresa
Na passada quinta-feira fui a um dos melhores concerto da minha vida. É incrível esta afirmação vindo de alguém que aprecia ritmos mais calmos, como reagge ou música clássica. Sim, Mettalica no Super Bock Super Rock foi um dos melhores concerto da minha vida.
Esta banda de californianos tem uma presença em palco como poucas que já vi. Bem me avisaram e não me enganaram! Sabe envolver um público, puxar por ele e, acima de tudo, agradecer-lhe. O reagge, por exemplo, é dos ritmos que maior envolvência pode trazer num concerto. Podemos não conhecer o intérprete, nem perceber nada da letra, mas deixamo-nos ir naquela lenguidão, naquela alegria e público ondula em conjunto, torna-se uma família. Dizer que se passou isto num concerto de heavy metal pode parecer estranho, mas assim foi que se passou. E mesmo eu, conhecendo poucos temas do grupo, fiz parte daquela família. E até mesmo as minhas pernas, que roçavam a distensão muscular, se esqueceram da burrice da véspera de surfar sem pré-aquecer e pularam como se não houvesse amanhã.
Estes monstros do heavy metal não precisam de provar mais nada, do alto do seu sucesso. Este podia ser mais um concerto, no meio da tounée. Mais um público, que apesar de numeroso, não chega às multidões  de um Rock in Rio, por exemplo. No entanto, estes senhores de aspecto duvidoso. para alguns, parecem ser as pessoas mais conscientes do seu público e dos seus fans, em particular. Vou usar o adjectivo  mais improvável para definir os Metallica: são uns fofos. E são mesmo. Tal como comentaram comigo, estes rapazes pareciam que não se queriam vir embora do palco. Numa performance musical imaculada, após 2h de concerto sempre a abrir, onde puxavam pelo público em momentos de diálogo meio cúmplice e em apontamentos fabulosos de pirotecnia, os Mettalica regressaram ao palco com uma bandeira portuguesa, agradecendo a todos nós, pela milionésima vez e tocando ainda mais. Distribuiram ainda uns souvenirs, que não consegui perceber o que eram - pelo tamanho talvez uns pins - e ficaram, e ficaram, e ficaram para fotos e abraços.
Não há nada pior que uma banda mostrar desprezo ou indiferença pelo seu público. No mínimo peço respeito. Um obrigada, pelo menos. Há muitos grupos que vêm tocar e não dirigem uma única palavra ao público. Somos fans mas não temos sangue de barata. Chegam, tocam e vão embora. Ter a humildade de reconhecer que estão ali e são o que são por nossa causa, é o que distingue os grande grupos, dos extraordinários.

E os Metallica foram mais que extraordinários naquela noite.

Peço desculpa pela qualidade, mas aqui fica um momento para recordar. And nothing else matters:


Estou...: roqueira
memorizado por LaraR às 17:37
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