
Mais um ano de hegemonia brasileira no Sintra Portugal Pro. Não vou dizer nenhuma novidade, já se gastaram rios de tinta e deitou-se muita conversa fora acerca disto mesmo: para quando uma final da etapa em Portugal com ondas decentes? É certo que esta etapa já 12 anos de história e o melhor prize money do tour... mas infelizmente nunca é demonstrativa do verdadeiro potencial de ondas da costa portuguesa. Se queremos que o nosso desporto evolua - a nível de respeito mediático e empresarial - este não é o melhor caminho. Praticantes amadores (e bons!) temos de sobra, títulos já vamos tendo também... mas e o respeito por este desporto onde está? O surf deve ter cerca de metade dos praticantes, muito menos títulos e o triplo da notoriedade! Onde está a diferença? Está na iniciativa de bons eventos a nível nacional... porque não é em casa fechados que se ganha respeito cá dentro e... lá fora. E ter a única etapa do campeonato do mundo em Portugal com ondas medíocres, ano após ano, não é a melhor das publicidades. "Ok esta é mais uma etapa para os brazucas paparem, habituados a ondas pequenas." E sai uma onda dropada até à exaustão e um El Rollo na espuminha. Quando vejo o Villar fazer aquilo larguei a máquina da mão e sentei-me desapontada. No entanto é de louvar os voos, que as fotos bem demonstram, feitos naquelas condições.
Não estou a dizer que não é importante saber-se surfar em ondas pequenas. Aliás, estaria a argumentar contra mim mesma... visto que eu própria ainda não dou para mais... . Acho até que um verdadeiro atleta e um campeão do mundo, em particular, deve ser o mais completo possível e saber surfar de tudo um pouco. Apenas estou triste pela constante das "fracas condições", ano após ano, logo na "montra" internacional. Costa não nos falta e, em boas condições, temos ondas que podem competir com os grandes spots de renome mundial. Se a tradição é assim tão importante e os prize moneys também, então que se realizem alternativas, num circuito nacional decente, por exemplo. Quem sabe depois se esses spots descobertos, não ascendam a um lugar internacional. Mas, como em tudo, neste Portugal, é preciso vir um estrangeiro qualquer descobrir uma qualquer maravilha deste cantinho - dentre tantas - e pô-la a render... ou dar-lhe visibilidade. Se isso se passa entre nós, comunidade amadora, quanto mais entre os investidores e patrocinadores? Toda a gente sonha ir surfar às canárias ou percorrer a austrália... mas ninguém se lembra primeiro de experimentar o potencial da nossa costa e das nossas ilhas... . A continuar assim, como é que a coisa não há-de andar estagnada. Só a Vert deste mês tem exemplos do que temos para oferecer por terras lusas.
Eu, cá por mim... vou sonhando em poder um dia voar algures nos Açores, na Madeira, na Costa Vicentina ainda pouco desbravada. E sonhar em conseguir um dia ter nível para tirar verdadeiro proveito delas.