
Diz Schopenhauer que “A morte é o génio inspirador, a musa da filosofia. Sem ela ter-se-ia dificilmente filosofado”. A Morte atravessa tempos e culturas porque ela é o que está por detrás das grandes interrogações da humanidade, às quais ainda ninguém pôde responder: qual é o sentido da vida se estamos destinados a morrer? O que existe para lá da Morte?
O que existe para lá da Morte não sei, nem pretendo vir a saber tão cedo. Se há algo que eu Amo é a vida, é viver e PARAR para SENTIR que estou a VIVER. Faço-o em cada gargalhada, em cada lágrima, em cada palavra de amor... em cada milagre da natureza que tenho o privilégio de aproveitar, seja numa onda perfeita, seja em mais um pôr-do-sol... .
Muita gente me pergunta o porquê e torce o nariz quando explico o tema da minha tese. Ser confrontado a todo o momento com a perpectiva da nossa própria efemeridade é deveras arrasador. Ainda para mais, fazendo-o numa perpectiva cientifíca. Ainda para mais, fazê-lo na força da juventude, no tempo dos sonhos ainda por realizar. O que me fascina afinal neste tema? Dou-vos uma pista: os últimos dias têm sido exemplares. Dez anos após a sua morte Diana continua a ocupar a agenda pública. E a sua ausência torna-a mais presente do que nunca.
A Morte é, em si mesma, o maior antagonismo que existe. É, em última análise, ausência de Vida, mas é apenas nessa ausência que ela tem poder para existir. A Morte de pessoas famosas constitui hiperbolização desta mesma capacidade: tornam-se mais presentes do que nunca, depois da sua ausência. Diana vive, revive, renasce a cada imagem, a cada testemunho, a cada lembrança. Um acontecimento passado, mas que se arrasta dia após dia e se alimenta de si próprio, desdobrando-se num perpétuo de pseudo-acontecimentos. Cada data especial à personalidade adquire aura, torna-se sagrada, sacralizada. A Morte de um famoso não é o fim em si mesmo, mas a "coroação" - para utilizar a expressão de Dayan e Katz - da sua própria Vida. É a cristalização de um mito, outrora vivo, agora remitificado. Aqui o Tempo não tem poder destrutivo. Os verdadeiros Mitos sobrevivem-lhe e ganham cada vez mais forças através dele, subsistindo numa memória colectiva que insiste em não esquecer, mas relembrar para sempre. Celebrar.
O que realmente me fascina é que aqui...
... a Morte é, ironicamente, a Vida perpetuada.