É sempre agradável quando os grandes atletas - aqueles outros esquisitos que não correm com a bola nos pés - vão sendo reconhecidos pelos nossos jornais.
É nestes casos que já é notícia só por si, isto ser notícia. Parabéns Pinheirinho!
Hugo Pinheiro já soma dois títulos europeus e é vice-campeão do mundo
A deslizar nas ondas de quase todo o mundo
Aos 28 anos, o bodyboarder português Hugo Pinheiro é já um atleta profissional há quatro anos e tem percorrido boa parte do mundo a disputar as várias etapas dos circuitos europeu e mundial, tendo no seu currículo os títulos de bicampeão do European Tour of Bodyboard em 2003 e 2004, bicampeão europeu por selecções em 2005 e 2007 e vice-campeão do mundo ISA em 2006, além de campeão nacional e 14.º colocado no ranking mundial.
Patrocinado pela Red Bull desde 2004, Pinheiro tem podido dedicar-se quase exclusivamente à modalidade, treinando constantemente na Costa de Caparica, onde vive, e também em Peniche, uma das melhores praias para a prática do bodyboard.
"Comecei a fazer bodyboard aos dez ou 11 anos na Costa de Caparica quando ainda tínhamos apenas pranchas de esferovite", relembra o jovem atleta português, dizendo que a evolução tecnológica mudou radicalmente o equipamento, que hoje é cada vez mais sofisticado e variado.
"Hoje há pelo menos dez tamanhos diferentes de pranchas e dois ou três tipos de shapes, todas elas construídas com propileno no interior e totalmente impermeáveis", explica, sublinhando também que as manobras evoluíram e se diversificaram.
Dos primeiros passos do body-board, quando as manobras incluíam apenas a rotação 3600, o off lip (deslizar na crista da onda) , o tubo e o cut back (realizar uma curva a partir do cimo da onda), actualmente os atletas se esmeram em manobras absolutamente radicais como o ARS - air roll spinner - um rolo aéreo com uma rotação de 3600 no fim, ou o aerial reverse - uma manobra aérea invertida, com um salto no ar e uma rotação 3600 invertida.
"Estas são algumas das manobras radicais praticadas em todos os campenatos, mas ainda há junções de manobras, duplas rotações, invertidos aéreos ...", diz o atleta, explicando que além de ser necessária uma onda grande para realizar estas peripécias é também preciso muita preparação física, especialmente para o trabalho de pernas, braços e lombares.
Uma nova vertente também surgiu recentemente em Portugal pelas mãos de Hugo Pinheiro e trata-se do bodyboard tow-out, que implica a utilização de uma mota de água para rebocar o atleta e a prancha de bodyboard.
"Experimentei esta nova vertente na Austrália durante o campeonato mundial de 2005-2006 e achei muito entusiasmante. Por isso, resolvi fazer uma sessão em Peniche para criar um grupo de atletas interessados em praticar em Portugal", contou ainda Pinheiro.
As manobras são basicamente as mesmas do bodyboard, mas a velocidade é incomparavelmente maior, cerca de 50 km/h. "Ao sermos rebocados por uma mota de água somos projectados nas ondas a vários metros de altura o que é sempre espectacular", comentou, entusiasmado, o atleta português.
Esta é uma prática que requer um perfeito relacionamento entre o piloto da mota de água e o bodyboarder, é um trabalho de equipa fundamental para que as manobras alcancem o máximo de espectacularidade.
Pinheiro entretanto já começou a disputar as etapas do circuito europeu, com provas em Vila do Bispo, que não correram muito bem devido às más ondas e à marcação cerrada de dois rivais da Póvoa de Varzim.
Haverá ainda mais duas etapas em Marrocos e Espanha, e também a disputa das etapas do circuito nacional e, paralelamente, estará presente nas restantes sete etapas do Mundial, a começar em Julho na Austrália e passando pelo Brasil, no Rio de Janeiro e em São Paulo, Chile, Espanha e ilhas Canárias e em Portugal em Agosto.
in DN 23/05/08
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