Domingo, 22 de Fevereiro de 2009
Se



Se tanto me dói que as coisas passem
É porque cada instante em mim foi vivo
Na busca de um bem definitivo
Em que as coisas de Amor se eternizassem.

 

 

Poesia II - Sophia de Mello Breyner Andresen 1944

 

 

 

memorizado por LaraR às 15:37
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Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2009
Voar

 

 

Que é voar?
É só subir no ar,
levantar da terra o corpo, os pés?
Isso é que é voar?

Não.

Voar é libertar-me,
é parar no espaço inconsistente
é ser livre, leve, independente
é ter a alma separada de toda a existência
é não viver senão em não-vivência
E isso é voar?

Não.

Voar é humano
é transitório , momentâneo...

Aquele que voa tem de poisar em algum lugar:
isso é partir

e não voltar.




Ana Hatherly

 

 

 

memorizado por LaraR às 23:55
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Sexta-feira, 16 de Janeiro de 2009
Evadir-me, esquecer-me



Evadir-me, esquecer-me, regressar
À frescura das coisas vegetais,
Ao verde flutuante dos pinhais
Percorridos de seivas virginais


E ao grande vento límpido do mar.

 

SophiaM.Breyner in Dia do Mar IV

memorizado por LaraR às 01:58
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Quarta-feira, 2 de Julho de 2008
Homens à Beira-Mar


 

 

Nada trazem consigo. As imagens 
Que encontram, vão-se delas despedindo,
Nada trazem consigo, pois partiram
Sós e nus, desde sempre, e os seus caminhos
Levam só ao espaço como o vento.


Embalados no próprio movimento,

Como se andar calasse algum tormento,
O seu olhar fixou-se para sempre
Na aparição sem fim dos horizont
es.

Como o animal que sente ao longe as fontes,
Tudo neles se cala para auscultar
O coração crescente da distância,
E longínqua lhes é a própria ânsia.

É-lhes longínquo o sol quando os consome,
É-lhes longínqua noite e a sua fome. 
É-lhes longínquo o próprio corpo e o traço,

Que deixam pela areia, passo a passo.

Porque o calor do sol não os consome,
Porque o frio da noite não os gela,
E nem sequer lhes dói a própria fome,
E é-lhes estranho até o próprio rasto.

Nenhum jardim, nenhum olhar os prende,
Intactos nas paisagens onde chegam
Só encontram o longe que se afasta,
As aves estrangeiras que os traspassam,
E o seu corpo é só um nó de frio
Em busca de mais mar e mais vazio.

 

 

 

Sophia de Mello Breyner Andresen in, Poesias I-III (1944)

Foto:  LaraR- Pontão Praia Nova - Caparica - Janeiro08

Estou...:
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Sexta-feira, 6 de Julho de 2007
Mais Sophia
Vai estar à venda a partir de 12 de Julho o livro A Sophia. Trata-se de uma homenagem de vários escritores a Sophia de Mello Breyner Andresen organizada pelo PEN Clube Português. O presidente do clube, Casimiro de Brito, organiza a edição.

Eu sei que sou suspeita, mas esta é mais uma homenagem merecida. Fico sempre feliz quando a minha Sophia, que tantas vezes dá voz ao que vai na minha alma, é recordada com carinho. A ver vamos o que este livro nos reserva. Ainda assim esta poetisa ainda não é estudada a fundo, levada verdadeiramente a sério. Lembro-me dela vagamente, embeirada numa página do livro de Português do 12º ano, convivendo no T1 do capítulo Outros Poetas do Século XX. Sim. Afinal houve uns outros tipos para além do Pessoa que escreveram umas coisas lá mais para o fim. Claustrofóbicos, com ela, estavam ainda José Régio, Jorge de Sena... . É triste. E nem na faculdade, num curso de literatura, acho que estes nossos Poetas foram levados verdadeiramente a sério. Foi mais do mesmo. Pessoa é grandioso, não digo que não. Mas há mais poesia para além dele. Há mais vida para além da prosa da Teolinda Gersão e "amigas".

Gosto de Sophia sobretudo por saber cantar o mar como mais ninguém foi capaz. A sua poesia é cristalina, cheira a maresia e nela ouve-se os sons dos búzios de cós. É plena de energia como uma onda a rebentar incessantemente na praia. É sinestésica.
E mesmo dizendo tudo isto estou a ser cruelmente redutora. Sophia não foi beber apenas ao Mar. Soube deitar-se no mármore branco do Parténon e sentir o sol dos mitos gregos, do berço da civilização. E tal como sentiu a euforia, sentiu a disforia humanas. Um país de pedra e vento duro. Gritou pela liberdade, gritou por todos os lábios mudos.


A bela e pura 

A bela e pura palavra Poesia
Tanto pelos caminhos se arrastou
Que alta noite a encontrei perdida
Num bordel onde um morto a assassinou.

Estou...:
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memorizado por LaraR às 02:30
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Sexta-feira, 22 de Junho de 2007
Serenidade


Mar sonoro 

Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim.
A tua beleza aumenta quando estamos sós
E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho.
Que momentos há em que eu suponho
Seres um milagre criado só para mim.


Ph. Mais uma das minhas fotos. Esta foi a 1 de Fevereiro na Praia Nova.
Estou...: sonhadora...
memorizado por LaraR às 02:42
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Segunda-feira, 18 de Junho de 2007
Sophia sempre
Mar


De todos os cantos do mundo
Amo com um amor mais forte e mais profundo
Aquela praia extasiada e nua,
Onde me uni ao mar, ao vento e à lua.

II
Cheiro a terra as árvores e o vento
Que a Primavera enche de perfumes
Mas neles só quero e só procuro
A selvagem exalação das ondas
Subindo para os astros como um grito puro.

Estou...:
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memorizado por LaraR às 19:06
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