Passo um ano inteiro a suspirar por uma coisa: Verão. E o pior é que passo depois todo o Verão a suspirar por outra: Inverno. Confusos? Eu explico.
Quando se vai quase diariamente a um sitío, penso que é comum a todos, passamo-lo a considerar como a nossa segunda casa. Assim sou eu com a Costa da Caparica. O meu cantinho, o meu quintal com vista para a imensidão do mar. Lá deixo à deriva os meus pensamentos e faço-os depois regressar, renovados, frescos, optimistas. A vastidão da paisagem, solitária. O som uníco do mar que vai e vem. O cheiro a maresia, o vento que crispa a pele. Até a chuva, ali, se torna sedutora. Tão bom a praia no Inverno mas... ai que saudades do calor, do corpo bronzeado, dos fins de dia adiados... .
Eis que chega o Verão. Com ele a inevitável invasão do meu refúgio. Chegam as primeiras famílias. As crianças embirrentas, as barrigas de cerveja e a celulite a escorrer do biquini. As geleiras, os chapéus de sol e toda uma panóplia de mobília de praia. Houvesse tomadas e a televisão também vinha. As beatas e o lixo acumulam. Existe ainda o cheiro enjoativo do protector solar e a cadência sonora do mar, abafada, violada pelo latir dos cães, do "Ó Ágata Soraia não comas areia filha, raios parta a miúda, a culpa é tua Quim Zé que passas as noites todas fora de casa!"
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Duas horas e meia de trajecto foi o que demorei no Sábado para poder pisar o areal da minha Costa, do meu oásis invadido. Parece que para deserto aquilo estava com beduínos a mais. E alguns dos camelos, saltaram mesmo para trás do volante. Valeu-me então a companhia da minha co-piloto e o surpreendente est

atuto rodoviário de duas morenas dentro dum carro com tecto de abrir. Algures no código da estrada masculino tal deve ser sinónimo de "cedência de passagem" com obrigatoriedade de sorrir e acenar. Melhor para nós, piscamos o olho e siga por entre o trânsito! Caso contrário, talvez tivessemos demorado mais uma horita, na melhor das hipóteses. Apesar da viagem à partida já se prever atribulada e penosa, a perspectiva da barriguinha ao sol com a minha mana deitando conversa fora, valia até o circuito a pé!
Dia sete do sete de dois mil e sete foi deveras um dia especial. Foi definitivamente o dia da maior Maravilha do Mundo: a Amizade.